Sete horas e vinte minutos, toca o telefone. A receção esqueceu-se de acordar à hora marcada. Estamos atrasados para a partida para o Ilhéu das Rolas. Que chatice! Quarenta minutos para nos arranjarmos e tomarmos o pequeno almoço e embarcarmos no autocarro. Dizia-me a Olinda Beja que lá já estão todos habituados a estes atrasos. É o "leve-leve". Mas a verdade é que quando entramos no autocarro do hotel que nos levaria ao porto, no sul da ilha, todos ficaram a olhar para nós.
Mas pronto! Há que relativizar! Estamos na terra do "leve-leve" e novas aventuras e surpresas estariam a caminho.

À medida que vamos descendo para sul, fomos seguindo o mapa que o Diogo previamente nos havia oferecido.
A paisagem ia mudando de cor, o cheiro... mesmo as pessoas! À medida que descíamos, os verdes da natureza eram mais diversificados, as paisagens mais densas, aumentando a sua paleta cromática.
As casas já não eram da cor natural da madeira. Já tinham uma cor dada pela pintura. De quando em quando, já se encontravam os pontos de água onde todos acediam, para levar os seus cântaros cheios a fim de satisfazer as suas necessidades domésticas.

Na paisagem vai deixando de predominar o cacau e passa a vigorar a palmeira. O motorista para para que um funcionário saia e apanhe o fruto dado pela palmeira, do qual se produz o óleo de palma.
Já referi que as pessoas também são diferentes. E era verdade. A simpatia e o sorriso que faziam ao passarmos, mesmo quando reparavam que estávamos a disparar a máquina fotográfica.
As estradas eram estranhas e difíceis de fazer. Aqueles cerca de cinquenta quilómetros foram feitos em duas horas e quinze minutos. Ora o piso era alcatroado e com as marcas das vias pintadas no chão, ora era de terra batida e brita, havendo mesmo momentos em que pensávamos que o autocarro (machibombo, como dizia a minha mãe) ia tombar.


Ao fim desse tempo, saímos da estrada principal e metemos por um curto atalho que nos conduziu ao porto dos barcos que nos conduziria ao Ilhéu das Rolas.
Mal o autocarro parou, foi impressionante a calorosa receção de música e canto que tivemos no cais, construído em madeira, simples, como toda a ilha e os seus nativos. O grupo chamava-se Bulaué e tinha por objetivo não deixar que as tradições e os cantares tradicionais se percam no tempo. Quando demos conta, estávamos contagiados por aqueles ritmos e estávamos a dançar.
Estavam também algumas crianças à nossa espera, Essas simplesmente nos fitavam com o seu olhar, como que a dizer "doxi" - doce, em dialeto de São Tomé.
A minha mãe, de coração mole, tirou uns caramelos da sua carteira. Os meninos, ao verem os caramelos, pareciam ter molas nos rabinhos e saltavam à volta da "tia" - termo carinhoso utilizado pelos residentes. Mas como professora primária que foi - ela diz primária e não do 1º ciclo, com todo o orgulho -, rapidamente procurou colocar ordem naquelas crianças: "Sentados! Se não, não levam doce!" Fartámo-nos de rir ao ver que o seu sentido diretivo não tinha escapado. Rapidamente se sentaram. A distribuição ordenada começou.

De seguida, o Diogo lembrou-se de distribuir pelos meninos uma fatia de bolo que havia trazido do pequeno almoço. Era a lei da sobrevivência.
De seguida, o Diogo lembrou-se de distribuir pelos meninos uma fatia de bolo que havia trazido do pequeno almoço. Era a lei da sobrevivência.
Começou o embarque no barco. Primeiro as bagagens e os passageiros clientes do hotel. Além dos turistas iam funcionários do hotel e residentes do Ilhéu. A máxima limpeza na embarcação e simpatia dos tripulantes e funcionários do hotel.
Depois de sentar a special one - a D. Aloma -, com o seu colete salva-vidas, eu, o Diogo, a Maria José e a Joana fomos para a frente do barco, onde iam também os funcionários do hotel para desfrutarmos da paisagem.
Dois lugares à minha direita ia um rapaz que era segurança do hotel e que carregava nos "r". Era o nosso novo amigo Julaique. Ar simpático, sorridente e maroto (pela sua falha nos dentes da frente), disse que era funcionário do hotel e que também era guia. Logo se ofereceu para nos acolher Descreveu logo um plano de atividades que poderíamos fazer na sua companhia por todo o Ilhéu das Rolas. Pensávamos nós que tanto tempo no Ilhéu ia ser monótono e entediante.
Após meia hora de viagem, fomos acolhidos com um coco bem fresquinho. De seguida fomos a receção e ficamos com os quartos todos seguidos (408 - 409 - 410).
Moradias rústicas espalhadas por verdejantes e floridos jardins.
O quarto era de madeira rústica. À frente, uma simpática varanda em madeira que dava para uma espécie de jardim privado.
Depois de tudo arrumado nos quartos, verificamos que só havia rede junto à receção do hotel, local que foi automaticamente apelidado como "sala de chuto".


