domingo, 28 de fevereiro de 2010

INVESTIMENTO A MÉDIO/LONGO PRAZO

É curioso quando no dia-a-dia somos visitados por ex-alunos de sala de aula ou, mais ainda, de escola, para não falar de há anos, para nos relatarem como estão as suas vidas.
É uma constante!
É um prazer!
É curioso!
O que será que fica naquelas cabeças, que tantas vezes, parece, nada registarem? Que tantas vezes nos fazem sair do sério?
Porque será que ao fim de algum tempo, quando não é sistemático, vêm dizer que estão a fazer isto, aquilo, ou aqueloutro?
Este complexo fenómeno, sobre o qual procuro reflectir profundamente, continua a deixar-me apreensivo, mas feliz: quem diz que são as notas dadas ao fim do período ou do ano lectivo que importam? O que importa é o que fica: a amizade, os conselhos, as palavras, os sorrisos, os compromissos, as cumplicidades... o saber abrir os braços e procurar passar algo por que já passamos ou nos soubemos desviar.
Há dias, ao fim de uma reunião, uma colega dizia-me: "Os meus alunos [e uma escola da capital] não arrastam uma cadeira, quando a arrumam! Mas sinto que os verdadeiros professores são vocês! As verdadeiras Escolas são as vossas!"
Às vezes chego a casa esgotado e a pensar "Que raio de dia! Sinto que não fiz nada! Não fiz nada, mas não parei!"
Uns tempos mais tarde, a médio/longo prazo, recolho os juros do meu investimento: as visitas daqueles que, de uma forma ou de outra se cruzaram pela minha vida de professor!
A eles dedico esta reflexão, que me alenta a continuar a ser exigente, muitas vezes severo, mas que eles sabem com que podem contar!
Obrigado meus amigos!

2 comentários:

Ana Clara Toulson disse...

É por tudo isto que vale a pena... vale a pena o empregado do supermercado que nos "envergonha" na frente dos clientes ao comentar:"Que saudades... é tão boa professora" ou a colega de profissão que diz: "Estou aqui por culpa sua..." ou mesmo o polícia que no aeroporto nos reconhece não apenas pelo BI:" Lembra-se?...Foi minha professora de Francês...". Quantos ex-alunos cruzo e não reconheço...mudaram...fica a certeza de que em muitos deles, num qualquer lugar, há uma ténue marca deixada por mim... é o que me leva a crer o quanto este investimento é importante!

Anabela disse...

É isso mesmo, meu querido amigo! A amizade, o carinho (diria mesmo, o amor) perduram! As notas, não! São efémeras e superficiais... Todos os dias penso nisso, pois há muito que tenho a nítida sensação que deixei de «ensinar».
Pergunto: isso deixa-me mais feliz e realizada?! Feliz, sim, sem dúvida, porque sei que, por onde passo, deixo a minha marca num cantinho dos seus corações; realizada... ainda me debato com a questão!
Bjs e queijos (e mordidas do teu afilhado).